No coração do distrito de Santarém, o concelho de Mação tem vindo a afirmar-se como um caso de estudo na gestão do território, utilizando o seu vasto património arqueológico e a valorização dos recursos naturais como motores de resiliência contra a desertificação. Através de um plano estratégico que alia a investigação científica à promoção turística, a autarquia prepara-se para reforçar o posicionamento do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo como um centro nevrálgico de desenvolvimento regional.
O Património como Ativo Económico
Mação detém uma das maiores concentrações de arte rupestre da Península Ibérica, um legado que tem sido preservado e estudado em colaboração com o Instituto Politécnico de Tomar e diversas entidades internacionais. O investimento municipal na modernização das infraestruturas museológicas e na criação de rotas arqueológicas não é apenas uma decisão cultural, mas uma estratégia económica deliberada. Ao atrair investigadores e turistas nacionais e estrangeiros, o concelho dinamiza o comércio local, a restauração e o alojamento em espaço rural.
Este modelo de desenvolvimento assenta na premissa de que a identidade histórica de Mação é o seu maior diferencial competitivo. A integração em redes internacionais de arqueologia permite que o nome do concelho circule em circuitos académicos globais, trazendo visibilidade a uma região que, tradicionalmente, enfrentava o isolamento geográfico.
Inovação na Gestão do Território e Infraestruturas
Para além da cultura, a infraestrutura florestal e a segurança do território representam pilares fundamentais da governação local. Mação tem sido pioneiro na implementação de Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), um modelo que visa transformar a mancha florestal numa zona mais resiliente e produtiva. Esta gestão ativa do território é vista como essencial para proteger não só o património arqueológico disperso pelo campo, mas também para garantir a sustentabilidade das atividades económicas ligadas ao setor primário, como a produção de mel e o processamento de produtos cárneos tradicionais.
O plano de investimentos para os próximos anos prevê a requalificação de vias de acesso a pontos de interesse estratégico e a melhoria da rede de miradouros, potenciando o turismo de natureza e o turismo científico. Estas intervenções são acompanhadas por um reforço nos serviços de proximidade, assegurando que a qualidade de vida dos residentes acompanha o crescimento da visibilidade externa do concelho.
Coesão Social e Sustentabilidade
A estratégia municipal para 2025 foca-se na consolidação de Mação como um território de bem-estar. A aposta na Universidade Sénior e no apoio às famílias é complementada pela criação de condições para a fixação de novos residentes, atraídos pela conjugação entre modernidade tecnológica e tranquilidade rural. A autarquia entende que a valorização do passado pré-histórico só faz sentido se servir de alavanca para um futuro próspero, onde a inovação e a tradição coabitam de forma harmoniosa.
Com um olhar atento sobre o Médio Tejo, Mação demonstra que a escala local pode ter um impacto global, transformando pedras milenares em alicerces de uma economia moderna e sustentável.