No encerramento do ano de 2024, o Município de Salvaterra de Magos reforçou a sua posição como pólo de atracção regional através de uma estratégia integrada que combina a revitalização do comércio local com a valorização do seu património imaterial. A 12.ª edição da campanha intitulada “Natal e a Economia Local” surge como a peça central de um plano que visa mitigar a sazonalidade económica e fixar o consumo dentro dos limites do concelho.
A iniciativa, que decorre até meados de Janeiro de 2025, envolve cerca de duas centenas de estabelecimentos comerciais aderentes. O modelo de incentivo assenta num sistema de cupões atribuídos por cada compra superior a 20 euros, habilitando os consumidores a vales de compras que variam entre os 50 e os 300 euros. Segundo as directrizes municipais, estes prémios devem ser reinvestidos exclusivamente no comércio de proximidade, criando um ciclo económico fechado que beneficia directamente os pequenos empresários de Salvaterra de Magos , Marinhais e Glória do Ribatejo .
A par da vertente económica, a autarquia apostou numa programação cultural densa para elevar o perfil turístico da região. Um dos marcos fundamentais foi a celebração do oitavo aniversário da elevação da Falcoaria em Portugal a Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A Falcoaria Real de Salvaterra de Magos acolheu exposições internacionais e o lançamento de obras literárias técnicas, reforçando os laços históricos com a cidade de Valkenswaard , nos Países Baixos, e consolidando a vila como a capital nacional desta arte milenar.
O plano de acção inclui ainda o projecto “Arte(s) nas Montras”, que transforma os estabelecimentos comerciais em galerias de exposição para artistas plásticos e artesãos locais. Esta simbiose entre cultura e consumo é complementada por uma rede de eventos descentralizados, desde concertos filarmónicos a feiras do livro e demonstrações gastronómicas de produtos endógenos.
Para os analistas locais, este investimento contínuo na identidade cultural e no apoio directo ao tecido empresarial traduz-se num reforço da coesão social e territorial. Num contexto de pressão das grandes superfícies comerciais, a estratégia de Salvaterra de Magos demonstra como a valorização das tradições — como os bordados de Glória do Ribatejo e a falcoaria — pode servir de motor para a sustentabilidade da economia local e para o fortalecimento da marca territorial do Ribatejo.